domingo, 4 de maio de 2014

Dia 02 de maio de 2014, 5 anos.


DECEPÇÃO


Hoje deveria haver comemoração, 5 anos de relacionamento!
Há 5 anos o conheci de uma forma totalmente inesperada, através da internet. Quando tem que acontecer, acontece e ponto.
Vou falar do hoje, senão ficará comprido demais até para mim.

Ele está se fortalecendo, retomando as rédeas de sua vida,  há pontos positivos e negativos nisso, tanto para ele quanto para a relação que temos e no momento estamos reconstruindo, reformulando, ou destruindo, ainda não sei.

Tenho consciência de que o motivo original que me levou até ele já foi realizado. Tenho certeza absoluta de que se eu vim para ajudá-lo ou para pagar dívidas de outras vidas e ajudá-lo ao mesmo tempo, já cumpri minha missão. Se ainda estamos juntos nesse momento é porque estamos nos adaptando, nos testando, para ver se após a ajuda e acerto de contas ainda há laços que nos permitam ficar juntos como mulher e homem.

Depois de ter que aprender a me virar sozinha para manter em todos os sentidos a mim e a minha filha nesse último ano, amadureci muito, me tornei mulher, me afirmei no trabalho, embora ainda faltem tantos outros aspectos da minha vida para melhorar.

No último ano voltei a sentir falta de estar mais com a minha família, meus pais, minha irmã, meu cunhado, meus sobrinhos, e principalmente me aproximar mais de minha filha. Voltei a sentir muita vontade de rever minhas tias e primas, de ir para festas de aniversário, casamentos, e tudo mais que houver para reunir quem eu gosto. Preciso ainda me reencontrar, procurar minhas amigas, pois me afastei muito delas nesses últimos anos. Sinto muito. E comecei a parar de cobrar para ele ir comigo, mas isso de sempre (ou quase sempre) estar sozinha não me faz feliz. E com essa atitude e comigo indo quando sinto vontade, sem fazer questão de cobrar que ele vá, está fazendo ele se sentir sozinho. Só que eu não estou mais disposta a me isolar com ele porque ele não quer ir. E aqui fica uma ambiguidade, se por  um lado ele me incentiva a ir, por outro se sente sozinho porque deixei de me isolar com ele.

Não que ele em momento algum tenha me forçado ou pedido para que eu me isolasse, ao contrário até. Só que ele é introspectivo, adora ficar sozinho, e também ficar sozinho comigo. Eu gosto de gente, ele não gosta. Então ele me incentiva a ir para os lugares, a ver gente, e diz: vá, seja feliz! E isso é muito estranho!

Com a descoberta do problema genético ele começou a se afirmar perante a mãe louca, amorosa e doente. Começou a conseguir separar os papéis de filho, marido, empregado e acompanhante que lhe eram e ainda são impostos. Isso é bom.

Por outro lado, nessa autoafirmação, se volta contra mim também. Afirmando que não é obrigado a ir para lugares que não quer ir, que eu devo sim ir sozinha porque ele não gosta de ir. E que algumas vezes ele poderá até ir, desde que seja muito importante para mim e que ele esteja com vontade. E me mistura nessa merda toda de uma família desestruturada que é a que tem. Diz que levou e trouxe a irmã, depois o irmão, agora a mãe e que não quer fazer o mesmo papel comigo.
Só que há uma diferença enorme nessa afirmação dele: eu não preciso ser levada, eu preciso de um companheiro que participe comigo, que tenha uma vida em comum comigo.
E mais importante ainda: EU NÃO PERTENÇO a esse núcleo familiar doente, e nem quero pertencer. Eu sou a única que pode cair fora disso e me indignar de estar sendo misturada nessa desordem toda.

Não moramos juntos, não nos casaremos, ele é curatelado, e os dois abortamentos espontâneos que tive o ajudaram com o processo. Então, sempre morarei sozinha, pois ele depende financeiramente e emocionalmente da mãe dele, e além disso, ele é um escravo de seus próprios problemas e também dos dela. E se também não nos acompanhamos para os eventos e nem moramos juntos, o que me resta? Ter um companheiro para estarmos juntos quando estivermos só nos dois, ou quando ele resolver que quer ir para algum lugar?

Sempre sonhei em ter um companheiro de verdade, em casar, em dividir uma casa. E o que sinto várias e várias vezes dentro da minha casa é solidão. Uma solidão tendo um companheiro, namorado, noivo, ou sei lá o que que somos. Sinto que nosso relacionamente não evoluiu mais, estagnou-se.

Ele na casa dele, no ar-condicionado dele, na internet dele, dormindo metade do dia e a outra metade na academia. E à noite na internet.

Eu acordada de dia trabalhando, no início da  noite fazendo algo para a minha casa funcionar e de noite dormindo. Com ele jamais terei um casamento. Será sempre isso. E mesmo se houvesse um casamento seria ele se mudar para viver igualzinho ao que já vive, seria apenas ele mudar o lugar em que já vive, se por acaso ele tivesse como manter também todos os confortos que tem por causa do dinheiro da mãe.

Hoje estou cansada.


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